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UM REINO POR UM CAVALO DE MADEIRA
A enorme cabeça do cavalo de madeira empreitava as ruas, sobre as muralhas de Tróia, tomadas por cidadãos felizes pelo fim da sua provação. Durante dez anos permaneceram cercados pelos gregos. O seu comércio havia sido destruído, estavam famintos e os jovens mais corajosos, dentre os quais Heitor, o primogênito e herdeiro de Príamo, haviam morridoem combate fora das muralhas.
Parecia que os gregos haviam finalmente partido. Depois de construírem o gigante cavalho, tinham posto fogo na acampamento, embarcado nos seus navios e partido para o Ocidente em direção a ilha de Tênedos, ao largo de Tróia, primeira escalada da sua longa viagem de regresso.
A história do cavalo de madeira é contada am dois grandes poemas épicos - A Odisséia , atribuída ao poera grego Homero , escrita cerca de cindo séculos após os eventos, e a Eneida , do romano Virgílio , surgida oitocentos anos depois da época em que Homero teria vivido.
Abrindo as portas da cidade após a aparente partida dos gregos - contam os poetas -, os troianos reuniram-se em júbilo à volta do cavalo, pensando o que fazer com ele. A maioria das pessoas era a fvor de que se levasse o cavalo para dentro da cidade. Os mais cautelosos, entre eles o sacerdote Laocoonte, propunham que o cavalo fosse queimado ou arremessado de um rochedo, não confiando em nada que fosse oferecido pelos inimigos.
Enquanto isso, um grupo de pastores chegava do campo trazendo um prisioneiro grego. Este disse aos troianos que se chamava Sínon e que a sua vida tinha sdo ameaçada por um grupo de gregos chefiados por Ulisses. Havia conseguido escapar e colocava-se à mercê de Príamo. O rei ordenou que libertassem Sínon e este contou a Príamo que os gregos tinham feito o cavalo em honra de Palas Atenéia, deusa padroeira de Tróia, para expiar um crime.
Quem ainda tivesse dúvida veria seus receios afastados po um terrível presságio. O cético Laocoonte imolava um touro a Posêidon, deus do mar, quando duas enormes serpentes vieram nadando desde Tênedos, enlaçaram-no com os seus dois filhos, e esmagaram-nos até morrerem.
Interpletando esse fato como castigo pela blasfêmia de Laocoonte ao atirar a sua lança ao engenho grego, os troianos concordaram em levar o cavalo para dentro da cidade. Por causa de seu tamanho, viram-se obrigados a destruir parte das muralhas. Depois de lhe amarrarem o pescoço com cordas e colocarem rodas sob as patas, arrastaram-no até a cidadela. Nessa noite, quando os troianos dormiam após as celebrações, a frota grega voltou às escondidas ao continente. A um sinal do barco do rei Agamenon, Sínon abriu as tábuas laterais do cavalo de madeira. Os guerreiros que ali estavam saltaram para fora e, massacrando as sentinelas dos portôes da cidade, abriram-nos ao exército que esperava no exterior. Alguns troianos, chefiados por Enéias, pegaram suas armas e enfrentaram-nos, num esforço desesperado para salvar o palácio de Príamo, no centro da cidade. Enquanto os gregos investiam contra os portões revestidos de bronze.
Por fim o gigantesco Neoptolemo, filho de Aquiles, derrubou o portão principal com o seu machado. Enquanto a rainha Hécula e as filhas se refugiavam junto ao altar no pátio central, o rei Príamo vestiu sua armadura de bronze e lançou sua espada contra Neoptolemo. Mas o grego aparou-a facilmente com o escudo, agarrou Príamo pelo cabelo e enterrou-lhe a espada no flanco.
" Seja o que for, receio os gregos, mesmo quando trazem presentes." LAOCOONTE , sacerdote troiano, na Eneida de Virgílio
Um após o outro, os comandantes troianos foram vencidos, até restar somente Enéias. Vagueando pelas ruas da cidade, avistou a mulher do rei grego Menelau, Helena, cujo rapto pelo filho de Príamo, Páris, teria sido o motivo da Guerra de Tróia. Enéias só não a matou porque sua mãe, a deusa Afrodite, lhe disse que Helena era inocente e que Tróia tinha sido destruída não por simples homens, mas pelos deuses, agindo através dos homens. Restava-lhe ainda salvar seu pai, Anquises, sua mulher, Creusa, e o seu jovem filho, Ascânio.
As chamas aproximaram-se com fragor. Enéias coloca nos ombros o pai, depois toma Ascânio pela mão e dirige-se à porta da cidade. Na confusão, Creusa perde-se da família e desaparece para nunca mais ser vista. Assim, pai, avô e filho dirigem-se para as colinas, onde encontram muitos outros fugitivos troianos. Escolhendo Enéias para chefe, concordam em segui-lo para onde fosse, em buca de uma nova vida do outro lado do mar.
Fonte: Grandes Acontecimentos que Marcaram o Mundo
Reader`s Digest
Obrigada pela sua visita!
Lidiana Sandes